No dia 26 de abril de 2012 foram desligados os últimos transmissores de televisão analógica em Portugal, no quadro da migração para a televisão digital terrestre. Segundo o sítio da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), a percentagem de população do concelho da Guarda é coberta por via terrestre em 92% e por via satélite 8%. Em chamada "zona negra" ou "zona sombra" estão freguesias como Famalicão da Serra e Valhelhas, e ainda parte das freguesias da Ramela e das Vendas da Vela, cujas populações adquiriram ou terão de adquirir antenas de elevado custo nas circunstâncias económicas atuais. Nestas condições, segundo o mesmo sítio, estão ainda 87% das populações de Manteigas, 39% de Almeida, 33% de Seia, 32% do Sabugal, 29% de Aguiar da Beira, 19% de Fornos de Algodres, 16% de Gouveia, 15% da Mêda, 13% de Pinhel, 10% de Trancoso, 8% de Celorico da Beira e de Figueira de Castelo Rodrigo e 6% de Vila Nova de Foz Côa.
É lamentável a forma como um número considerável de portugueses é tratada em relação a esta matéria. Mesmo que fosse apenas uma família. E mais uma vez, na sua maioria, são as gentes do Interior a ser as mais prejudicadas. Duplamente prejudicadas! No resto da Europa este processo já tem anos, não teve quaisquer custos para o utilizador e ainda lhes oferecem um vasto leque de canais. Neste país à beira-mar plantado, a Televisão Digital Terrestre chegou tarde e a más horas, com custos na cobertura terrestre e com avultados custos na cobertura satélite, e dando como esmola os quatro canais generalistas, mais o recente “rebuçadinho” Canal Parlamento…
Ouvimos críticas à PT Comunicações, para mim infundadas, visto que venceu um concurso no qual foi a única concorrente. No seu caderno de encargos já estavam previstas as “zonas sombra” e o apagão dos transmissores de televisão analógica, reutilizados para 4G. A respeito do bom senso o mesmo deveria dizer ao Governo e à ANACOM para agirem concertadamente em abono de todos os prejudicados, de maneira a recolocar a dignidade no Portugal do século XXI no que concerne a este tema.
Onde estavam o anterior e, por coincidência, o presente Governo para não tratarem todos os portugueses de modo igualitário? Quais as finalidades da ANACOM se não serve todos e de igual modo? Quais os possíveis interesses e os possíveis interessados neste tamanho negócio, para além, claro está, da empresa PT Comunicações? São perguntas pertinentes que, uma vez mais, ficarão sem as almejadas respostas… Uma vez mais os portugueses foram subjugados. Uma vez mais os beirões foram desprezados.



